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É a missa em que se celebra última ceia de Jesus com seus apóstolos
e também quando Ele institui a Santa Eucaristia.
No início da noite da primeira Quinta-feira Santa, Jesus
quis comer a ceia pascal com seus discípulos; deu também, como
Mestre, um exemplo belíssimo de humildade lavando-lhes os pés. Foi
durante esta refeição que nosso Salvador instituiu seu próprio
memorial, a sagrada Eucaristia!
O
Sacrossantum Concilium (no 47), nos diz:
Na última ceia, na noite em que foi traído, nosso
Salvador instituiu o sacrifício eucarístico de seu corpo e sangue.
Fez isto para perpetuar o sacrifício da cruz pelos séculos, até que
volte, e, assim, confiar à Igreja, sua amada esposa, o memorial de
sua morte e ressurreição: sacramento de amor, sinal de unidade,
vínculo de caridade, banquete pascal, em que Cristo é consumado, o
espírito é saciado de graça e nos é dado o penhor da futura glória.
Portanto, a
Eucaristia é o sacramento de amor por excelência, é o sacramento da
unidade que nos une a Cristo na caridade.
Quando nos reunimos em família, pensamos logo numa
refeição, num almoço ou num jantar, pois esse acontecimento nos une
mais fortemente, os laços familiares tornam-se mais estreitos. Pode
haver expressão maior de unidade do que numa refeição em família ou
mesmo compartilhada com os amigos?
A Eucaristia é refeição. Cristo nos convida a partilhar
com Ele a refeição em que Jesus se faz comida e bebida para nos
fortalecer espiritualmente.
O evangelista João relata o último discurso de Jesus em
que Ele diz: “Desejei ardentemente comer esta refeição pascal
convosco”. Nesse dizer de nosso Senhor há uma profunda alegria.
Entre os judeus, a ceia da Páscoa era sempre esperada como uma hora
de grande alegria, pois eles relembravam a saída do povo judeu do
Egito, lugar de escravidão e morte. A Páscoa instituída por Moisés
era celebrada todos os anos como a festa máxima do calendário
religioso judaico. Páscoa judaica, que quer dizer “passagem” era, e
é ainda hoje, a celebração da libertação do povo da escravidão do
Egito para a liberdade na terra prometida onde corre leite e mel.
Cristo aproveita-se da festa da Páscoa para se oferecer ao Pai como
Vitima perfeita, o Cordeiro, aquele que tira o pecado do mundo. Ele
transforma a Páscoa judaica, não apenas na libertação de um povo do
jugo da escravidão, mas liberta a humanidade de uma escravidão
maior, mais profunda, que a afasta do Pai e causa a verdadeira
morte. Ele nos liberta da escravidão do pecado que traz a morte
eterna.
A Páscoa cristã tem profunda ligação com a Páscoa
judaica, tanto que na missa da Ceia do Senhor, a primeira leitura
(Ex 12, 1-8.11-14) nos traz o relato do Antigo Testamento no que diz
respeito à Páscoa judaica, são instruções dadas por Moisés sobre
como ela deveria se desenrolar, que animal deveria ser sacrificado
ao cair da tarde, como deveria ser consumido, enfim todo um ritual.
Esta Páscoa relatada na primeira leitura prefigura a Páscoa de
Cristo e o banquete pascal (a Eucaristia) que Ele instituirá.
Instituindo a Eucaristia e passando por sua paixão,
morte e ressurreição, Jesus quis mostrar que Ele era o cumprimento
das profecias e das figuras do Antigo Testamento, que era o
verdadeiro Cordeiro Pascal, que com seu derramamento de sangue e sua
morte, salvaria definitivamente seu povo e toda a humanidade. Ao
transformar pão e vinho em seu próprio Corpo e Sangue, estabeleceu o
rito pascal da Igreja.
Na segunda leitura (1Cor 11, 23-26) Paulo nos relata a
última ceia e como Cristo instituiu a Eucaristia. É considerado o
relato mais antigo da instituição, por isso, é colocado nesta missa,
pois é de particular interesse e valor. Ele nos indica que por volta
de 57 d.C. a tradição litúrgica da Santa Eucaristia já estava
firmemente estabelecida. A Igreja primitiva já testemunhava sua fé
na presença real de Cristo no sacrifício da Eucaristia: “Isto é o
meu corpo que é para vós”. Nessa época a Igreja já tinha
consciência de que celebrar a Eucaristia era obedecer à ordem de
Jesus: “Fazei isto em memória de mim”. A exemplo da Igreja
primitiva, atualmente a Igreja celebra a Eucaristia não apenas como
o memorial de Cristo, mas também anunciandos o seu retorno no fim
dos tempos.
O Evangelho desta missa (Jo 13,1-15) nos relata o
lava-pés dos discípulos. Este Evangelho nos mostra o tema do amor
fraterno, intimamente ligado à Eucaristia, pois ela é o “sacramento
do amor”. Celebrar o sacrifício da missa é nos comprometer com o
amor e o serviço aos irmãos. É seguir a doutrina de amor que Cristo
nos ensinou. O gesto de Jesus ao lavar os pés dos discípulos, os
espantou. O Mestre lavando os nossos pés? Como pode ser isso? Mas
Jesus realiza com este gesto uma lição de amor e de serviço: “Eu
não vim ao mundo para ser servido, mas para servir! Vendo o
espanto dos discípulos, nosso Senhor diz: “Dei-vos o exemplo para
que, como eu vos fiz, também vós o façais”.
Nesta missa, evocando este gesto de Jesus, doze
pessoas são escolhidas para representar os apóstolos. São colocadas
à vista de todos no presbitério e o presidente da celebração, usando
um avental, pega uma toalha, derrama água e lava os pés de cada um
dos representantes dos apóstolos. Depois os enxuga. Durante esta
cerimônia o grupo de canto entoa alguns cantos tradicionais que
evocam o momento em que o Mestre lava os pés de seus apóstolos.
Nesses cantos é comum aparecer as seguintes palavras proferidas por
Cristo: “Eis que eu vos dou um novo mandamento, deixo, ao partir,
nova lei: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei”.
A missa da Ceia do Senhor, além da instituição da
Santa Eucaristia, nos transmite a mensagem do serviço mútuo. A
lavagem dos pés dos discípulos simbolizou profundamente o ato
supremo de Jesus de serviço amoroso a toda humanidade, a ponto de
chegar ao sacrifício da sua própria vida em expiação dos nossos
pecados. Nesse sentido, Cristo deseja que o sigamos até mesmo nas
menores coisas, e também se necessário dar nossas vidas por sua
causa.
Ao final desta missa somos convidados a continuar em
adoração a Jesus Eucarístico por um determinado tempo que,
geralmente vai até a meia-noite. É o que chamamos de vigília
eucarística. Ela tem por finalidade evocar a própria vigília de
Cristo no jardim do Getsêmani, onde Jesus foi tomado de grande
tristeza diante do sofrimento que passaria: “Ó Pai se for
possível afaste de mim este cálice, mas que não se faça a minha
vontade e sim a tua”. Lembremos aqui as palavras de Jesus que
convida os três discípulos a vigiar e orar com Ele... Quando volta,
encontra os três dormindo... Como?... “Não fostes capazes de
vigiar comigo por uma hora!” (Mt 26, 38.40).
Que possamos
fazer de nossa vida uma verdadeira Eucaristia!
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