
Numa canção inspirada e belíssima do Pe. Zezinho chamada
“Oração Pela Família”, encontramos o seguinte verso:
“Que o homem carregue nos ombros a graça de um pai”. Gostaria de
refletir um pouco acerca desse verso. Aí temos o papel do homem na
família, assumindo a paternidade com responsabilidade. Ser pai,
gerar uma vida juntamente com sua companheira é fácil, é até
prazerosa a união do homem e da mulher quando desejam conceber uma
nova vida. As dificuldades vêm depois no acompanhamento, no amparo e
na proteção da vida gerada. É no depois que o homem realiza a graça
de ser pai.
Ser pai responsável é assumir
o cuidado com os filhos quando ainda são bebês, fazê-los dormir, dar mamadeira,
trocar fraldas ou levá-los para um passeio.
Hoje paternidade e
maternidade andam muito próximas. Já foi a época em que cabia à mulher a tarefa
dos cuidados básicos com o bebê. Pai e mãe colaborando-se mutuamente, fortalecem
o elo de união entre ambos e se complementam. Cabe à mulher colaborar para que
seu companheiro tenha seu espaço em casa com acertos e erros, é assim que o
feminino e o masculino somam suas diferenças e se completam com frutos muito
positivos.
Quando nosso Pai e Criador de
tudo gerou a vida no mundo, ele quis a nossa colaboração na criação de uma nova
vida. Cada vez que uma vida humana é concebida na intimidade de uma família,
vê-se aí um sinal claro da confiança do Criador na humanidade. O amor profundo
de Deus Pai por todos nós está refletido no desejo de compartilhar essa tarefa
de gerar a vida. Que grande nobreza colaborar com o Pai Maior. O pai que
compreende isso luta para acertar, vence barreiras, transpõe obstáculos, tudo
suporta, pois sabe que conta com a graça de Deus para carregar nos ombros a
graça de um pai.
Ser pai é enfrentar os
desafios, principalmente no mundo atual, onde se questionam valores fundamentais
que constituem o alicerce da família. Se os desafios existem, maiores devem ser
as forças e a luta para enfrentá-los.
Sem ignorar a importância da
figura materna, a presença do pai é imprescindível para o desenvolvimento
saudável e equilibrado dos filhos. Qual filho ou filha que não adora ter a
presença do pai? Qualquer criança precisa da presença masculina que,
naturalmente, traz a emoção rude, por meio de diversões e brincadeiras como
jogar a criança para cima, virá-la de cabeça para baixo e outras formas de
diversões próprias do comportamento masculino. Tudo isso contribui para
equilibrar o desenvolvimento de sua identidade diante do feminino (papel
materno) e do masculino (papel paterno).
Um pai que não participa da
vida de seus filhos, é pai biologicamente falando, mas não é pai em sua
totalidade, não tem a graça de ser pai. A preocupação de obter o necessário para
o sustento da família, sem dúvida é fundamental, mas isso não deve ser motivo de
negligenciar o envolvimento e a participação na vida dos filhos. A ausência
paterna na vida do filho ou filha pode gerar conseqüências irrecuperáveis em seu
desenvolvimento.
Carregar nos ombros a graça
de ser pai, é mais do que apenas gerar uma vida; é sobretudo assumir a
paternidade com todas as suas implicações. E que Deus, nosso Pai, abençoe todos
os pais.
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