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A Quinta-feira Santa corresponde ao último dia da Quaresma e nos
introduz no Tríduo Pascal. Esse dia nos prepara finalmente para a
Páscoa, iniciando a celebração pascal.
Assim como Jesus enviou seus discípulos, dando uma
ordem: “Ide preparar-nos a Páscoa para comermos” (Lc 22,8),
também, nesse dia, nos preparamos para a celebração da Páscoa.
Devemos nos preparar espiritualmente neste dia que nos introduz no
mistério pascal de Cristo.
Na
Quinta-feira Santa, celebram-se duas missas: uma
delas ocorre na catedral, é a conhecida missa dos santos óleos, onde
se procede a bênção do óleo do batismo e dos enfermos e a
consagração do óleo do crisma; é também uma missa que evoca a
unidade da Igreja em torno do Bispo e do Papa. Sacerdotes de demonstração de unidade. É a Igreja, corpo de
Cristo, onde Cristo é a cabeça. A outra missa ocorre nas paróquias e
ordens religiosas da diocese, é a missa da Ceia do Senhor; quando
Jesus, na primeira Quinta-feira Santa, instituiu a Eucaristia e
também instituiu o sacerdócio. Portanto, além da celebração da Ceia
do Senhor, também se dá destaque ao tema do sacerdócio, pois ambos
os temas estão forte e intimamente ligados.
Na missa da manhã, missa do crisma ou dos santos óleos,
que ocorre exclusivamente nas catedrais, o bispo diocesano é o
presidente da celebração e também o consagrador dos óleos. Como já
se mencionou acima, temos o povo de Deus reunido junto ao bispo,
presbíteros, diáconos e seminaristas numa participação ativa em
torno da mesa eucarística, todos juntos, numa única oração, junto do
altar como sinal de unidade da Igreja. Na pessoa do bispo, cabeça da
Igreja local, rodeado pelos presbíteros e representantes das ordens
religiosas, temos a concelebração da Eucaristia na unidade e na
fraternidade. A participação do povo de Deus nessa missa é de grande
importância pois, a Igreja fica incompleta sem a presença dos leigos
e leigas. Aqui também se expressa a manifestação da Igreja
hierárquica. Em estreita proximidade da Páscoa do Senhor, os óleos
do batismo (ou dos catecúmenos) e dos enfermos são abençoados
solenemente, estes, depois serão usados nos sacramentos do Batismo e
Unção dos Enfermos, respectivamente. O óleo do crisma é consagrado.
A ele se adiciona uma essência perfumada, pois o cristão, pelo
sacramento da Crisma, ao receber esse óleo na fronte, deve exalar o
perfume de Cristo pelo seu testemunho de vida e seguimento do
Evangelho. O óleo do crisma é também usado na realização do
sacramento da Ordem, quando um diácono se torna padre; suas mãos são
ungidas para que possam, pelo poder do Espírito Santo e imposição de
suas mãos sacerdotais, transformar as espécies do pão e do vinho no
Corpo e Sangue de Cristo. Quando um padre é escolhido para bispo, na
sua sagração, novamente esse óleo do crisma será agora, derramado
sobre sua cabeça, ungindo-o para o episcopado.
Como vimos, pelo uso dos santos óleos, os sacramentos
citados têm intima ligação com a Páscoa. Mesmo aqueles que não usam
dos óleos sagrados, também unem-se intimamente à Páscoa, à
ressurreição de Cristo, pois todos, nos conduzem à promessa de
ressurreição assegurada por Ele.
A segunda missa, a missa vespertina, quando Jesus na
última ceia nos transmitiu o mistério da Eucaristia, também
instituiu o sacerdócio cristão. Essa missa nos transmite uma
verdadeira catequese sobre o sacerdócio ministerial, assim como o
sacerdócio geral dos fiéis recebido pelo Batismo, pois, “Jesus
Cristo fez de nós um reino de sacerdotes para Deus Pai”, é o que
nos diz a antífona da entrada. Há um único sacerdócio: o de Jesus
Cristo, o sacerdócio ministerial e o geral dos fiéis é participação
nesse único sacerdócio de Cristo. Ele é o nosso Mediador e
Sumo-Sacerdote. O profeta Isaias (Is 63,1-3.6.8-9) e o evangelista
Lucas (Lc 4,16-21) referem-se a esse sacerdócio de Jesus: “O
Espírito do Senhor repousa sobre mim, porque ele me ungiu”.
Nesta missa há a renovação das promessas sacerdotais, pois os
padres, mediante o sacramento da Ordem, participam de modo único do
sacerdócio de Cristo. A eles é conferido o poder de remir os
pecados, transformar pão e vinho do Corpo e Sangue do Senhor. São de
modo especial, administradores dos sacramentos, mestres e pastores
da Igreja. Eles são escolhidos por Deus para irem à frente do povo
exercendo a caridade, alimentando-os com a Palavra de Deus e
restaurando-os com os sacramentos. Por isso, devemos constantemente,
orar ao Pai pelos nossos padres, pois não é fácil para eles viverem
sob as exigências de sua vocação. Nossa oração e nosso apoio são,
portanto, fundamentais.
A missa vespertina da Ceia do Senhor dá início ao Tríduo
Pascal. Tríduo nos passa a idéia de preparação. É, portanto, a
preparação para a festa da Páscoa, da Ressurreição, da vida nova!
Nestes três dias mais sagrados, a partir da Quinta-feira Santa,
celebramos e meditamos a crucificação, sepultamento e ressurreição
de Cristo. São dias em que refletimos tanto o lado sombrio como o
lado radiante do mistério salvífico de Cristo.
Jesus, na última ceia, disse aos apóstolos: “Vós vos
entristecereis, mas a vossa tristeza se transformará em alegria”
(Jo 16, 20). Jesus refere-se aqui à tristeza da perda do Mestre, à
tristeza de presenciar os sofrimentos impostos a Cristo durante seu
julgamento e condenação à morte. O apóstolo João, aquele que Jesus
amava, vivenciou de perto, junto de Maria Santíssima esse
sofrimento. Uma mulher em trabalho de parto, nos expressa muito bem
o sofrimento a que Jesus se refere no versículo citado: as dores do
parto geram profundo sofrimento, mas depois, essas mesmas dores
geram a alegria por um novo ser humano ter nascido! “Se o grão de
trigo cai na terra e não morre, permanece apenas um simples grão;
mas se morre, produz abundante colheita” (Jo 12,24).
O sofrimento em si mesmo não é bom. Mas o sofrimento,
sob o ponto de vista cristão, é positivo. Cristo na cruz
verdadeiramente sofreu, mas seu sofrimento não foi em vão, foi um
sofrimento redentor que libertou toda a humanidade das amarras do
pecado e da morte. Nosso caminhar deve ser iluminado pelos
ensinamentos de Cristo e também pelos seus exemplos de caridade e
fraternidade. Cristo nos ensina que a vida substituiu a morte. Que a
cruz é o caminho da ressurreição.
No Tríduo Pascal, celebramos e meditamos o modelo e
programa ensinado por Cristo que nós, batizados devemos seguir em
nossas próprias vidas.
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