ASPECTOS   GERAIS:

            Vamos abordar alguns aspectos gerais por meio de perguntas e respostas:

  1. O que se entende por Missa?

Missa é o nome que se usa no Ocidente para designar a celebração eucarística. Missa é uma palavra latina introduzida no início da Roma cristã para indicar o fim de qualquer reunião litúrgica. Hoje (e a partir do século 6), nos indica um conjunto de orações que usamos para celebrar a Eucaristia. A Igreja primitiva não usava o termo “missa”, mas sim, “Ceia do Senhor” ou “Fração do Pão”. Nós cristãos de hoje a chamamos de Missa ou Eucaristia, palavra que vem do grego e significa “Ação de Graças”. Participar da Missa nos leva à ação, isto é, no conduz à missão de evangelizar, tornar o Reino de Deus uma realidade no meio de nós.

 

  1. Como surgiu a celebração da Santa Missa?

Foi o próprio Jesus que a instituiu. Na última semana, na quinta-feira, antes de ser entregue às autoridades judaicas, durante a última Ceia (a Ceia Pascal) com seus discípulos e apóstolos, Cristo instituiu a Eucaristia. Tomou o pão, deu graças e o deu a seus discípulos dizendo: “Tomai e comei todos vós, isto é o meu corpo, que será entregue por vós”. Terminada a ceia, tomou o cálice com vinho, deu graças e o passou aos discípulos, dizendo: “Tomai, todos, e bebei. Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós, para a remissão dos pecados”.  Estas palavras estão presentes no Novo Testamento, o texto mais antigo está em 1 Coríntios 11, 23-25. Depois vem Lucas 22, 19-20, Mateus 26, 26-28 e Marcos 14, 22-24.

 

  1. Por que não dar aos fiéis o vinho consagrado em todas as Missas?

O ideal é que todos comunguem do Corpo e do Sangue de Cristo. Se não há esse hábito, talvez seja por praticidade. Quem comunga só a Hóstia Consagrada, porém, está comungando o Cristo na sua totalidade. Hoje, em algumas paróquias já se faz a comunhão nas duas espécies. Em outras só ocorre em ocasiões especiais. Entretanto,  o ideal é que todos comunguem nas duas espécies.

 

  1. Desde quando a Eucaristia é celebrada?

A Eucaristia é celebrada desde o começo, pois na última Ceia, Jesus deu uma ordem: “Fazei isto em memória de mim”. Os Atos dos Apóstolos falam da Fração do Pão celebrada desde o começo (At 2, 42).  As comunidades fundadas por Paulo também celebravam a Ceia do Senhor (1 Cor 11, 17-34).

 

  1. A Eucaristia apenas nos lembra a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor?

Não. Quando celebramos a Eucaristia revivemos a Páscoa do Senhor tornando-a presente, real, trazendo-a para nossa vida, nossa realidade. Não é uma simples memória mas um acontecimento presente e real em nossa vida e na vida do povo de Deus.

 

  1. Jesus instituiu a Eucaristia na celebração da Páscoa judaica. Que relação há entre ambas?

A Eucaristia é a celebração do Mistério Pascal de Cristo. Celebramos a Paixão, Morte, Ressurreição e Ascenção do Senhor. Na Missa, celebramos a vitória da vida sobre a morte, isto é, a passagem de Jesus da morte para a vida e a passagem deste mundo para o Pai. Ao instituir a Eucaristia na Páscoa dos judeus, Jesus quis estabelecer a relação entre a Páscoa instituída por Moisés (a passagem da escravidão para a liberdade rumo à terra prometida), com sua própria Páscoa: a passagem da morte para a vida, Jesus realizou o   plano do Pai nos redimindo por seu sacrifício na cruz. Libertou-nos da escravidão do pecado, tornando-nos livres para a vida na graça. Sua ressurreição deu-nos o penhor da vida eterna.

 

  1. Qual o dia da semana para se celebrar a Eucaristia?

A Igreja celebra a Eucaristia todos os dias. Pode-se dizer que o dia por excelência para se celebrar a Eucaristia e o domingo. Jesus Cristo ressuscitou num domingo, o primeiro dia da semana. No Novo Testamento há textos que falam disso: 1 Cor 16, 2; Ap 1, 10, que chama o domingo de “Dia do Senhor”. No domingo, o primeiro dia da semana, Cristo Ressuscitou, venceu a morte. Por isso dizemos: “Anunciamos Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição...” O domingo, o primeiro da semana, é o dia, portanto, por excelência, pois nada melhor que iniciarmos a semana louvando e bendizendo ao Pai por Jesus Cristo, nosso irmão. Não há melhor maneira de iniciar a semana do que esta.

 

  1. Até quando nós cristãos devemos celebrar a Eucaristia?

“até que o Senhor venha” (1 Cor 11, 26). Jesus nos prometeu uma segunda vinda, não sabemos quando e como vai ocorrer. Por isso o apóstolo Paulo pediu às comunidades fundadas por ele que celebrassem a Eucaristia sempre; até que o Senhor venha. Por isso dizemos na celebração eucarística: “Vem, Senhor Jesus!”

 

10. Qual a importância da Eucaristia na vida dos cristãos?

      A Eucaristia é o ápice da vida cristã. Ela é a fonte da vida, alimenta-nos com o “pão da Palavra” e também com o “Pão da Vida, o Pão vivo descido do céu”. Lembramos aqui o que disse Jesus acerca de si mesmo referindo-se como “Pão Vivo”: “Vossos pais comeram o maná e morreram. Eu sou o pão vivo descido dos céus, quem comer deste pão terá a vida eterna”. Tudo o que acontece na nossa vida deve culminar na celebração eucarística, pois Cristo é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim de todas as coisas. Com sua paixão, morte e ressurreição, Cristo fez novas todas as coisas.

  

11.   Só o padre que celebra a Eucaristia?

Não. Todos nós cristãos celebramos a Eucaristia. O padre (presbítero) a preside. Na verdade, o grande celebrante é o próprio Cristo, que atualiza seu sacrifício e se oferece por nós ao Pai. Só ele é a vitima perfeita, o Cordeiro Pascal sem mancha.

 

12.   Por que celebrar a Eucaristia pelos mortos?

Como Ação de Graças, a Eucaristia abre espaço para a memória dos falecidos, isto é, aqueles que nos precederam na fé, pois acreditamos na “comunhão dos santos” professada no Credo (Profissão de Fé). Rezar pelos mortos tem tudo a ver com a caridade, o amor, pois este não passará, como nos ensina São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios, capítulo 13. Se celebrar a Eucaristia é celebrar a vitória da vida sobre a morte, por que não lembrar dos falecidos que adormeceram na fé em Cristo e, assim celebrar com eles a vida?

 

13.   Rezar o Terço durante a missa tem sentido?

Não. Antes do Concílio Vaticano II, a Missa era rezada em latim, o povo não entendia nada, por isso,  participava rezando o Terço. Com o Vaticano II, tudo mudou e, mudou para melhor. Hoje, nossa participação é mais intensa do que no passado, pois cantamos, escutamos, respondemos, comungamos... Atualmente, rezar o Terço durante a Missa é deixar de lado “a melhor parte” para ficarmos apenas com o bom (entretanto, é preciso respeitar as pessoas mais idosas que não conseguiram adaptar-se à nova realidade trazida pelo Vaticano II).