I.
UMA RÁPIDA CONSIDERAÇÃO
Meditar sobre a vida
de São Benedito é encontrar uma luz para os pobres, simples e amados
de Deus. Todos nós, desde pequenos, somos convidados a buscar imitar
suas virtudes, sobretudo pedindo que nada nos falte em nossas casas e
rogando sua proteção ao nosso lar. É assim que, com muito carinho e fé,
muitas pessoas costumam oferecer uma pequena oferenda ao santo,
colocando aos seus pés a primeira xícara de café. Sabemos que este
gesto, feliz pela fidelidade, apresenta nossa invocação a Deus, por
intercessão do glorioso São Benedito que, na humildade, foi fervoroso
trabalhador, exemplar dirigente da casa religiosa onde morava e profunda
anunciador da Palavra. Foi, como muitos costumam dizer, um santo em vida
e sua santidade nos marca.
Queremos, com muita
simplicidade, lembrar este santo, São Benedito, o Negro, celebrado pelo
calendário litúrgico no dia 05 de outubro (recordando que, no Vale do
Paraíba, a tradição dispõe a semana após o Domingo de Páscoa para
celebrar este momento. Outros celebram no dia 31 de março, quando a
Igreja recorda de São Benedito, da Ásia. Há, também, que se notar a
data de 06 de Abril como outra lembrança ao Santo). II.
INTRODUZINDO O TEMA
São
Benedito, o Negro, é um santo muito popular e, ao mesmo tempo, presente
em nossas realidades familiares como sinal de proteção e bênção aos
lares. Com a sua presença espiritual figura como um modelo à espera do
nosso esforço em imitá-lo na prática do desprendimento, da humildade,
do amor ao Pai e aos irmãos e irmãs. Olhar a vida de um santo é
lembrar que fomos criados a imagem e semelhança de Deus, recordando que
o mais importante é o que somos e não o que temos. Neste sentido, a
vida de São Benedito é um grande exemplo a ser seguido, pois na sua
humildade e pobreza, tornou-se sinal de riqueza e fartura entre os seus
amigos confrades de convento e um brilho de Deus no lar onde morava. Em
várias cidades, encontramos uma pequena Igreja dedicada a São
Benedito, onde muitas pessoas procuram fortalecer a devoção e o
encontro com Deus. As tradições mostram que nestas comunidades existem
alguns sinais marcantes da devoção ao Santo Negro, como, por exemplo,
as congadas e moçambiques (ou danças africanas), a presença de
costumes e bênçãos para aumentar as bênçãos no lar, a devoção ao
santo Rosário – ligada no Brasil a Nossa Senhora -, a procura em
viver a humildade e a caridade testemunhadas por São Benedito. Muitos
discutem porque São Benedito é negro. Alguns pesquisadores acham que
ele era mouro (não tão negro, mas menos escuro). Mas o caso é que
ninguém prova que Benedito fosse mouro, pois seus pais saíram da África
para Sicília e, daí, chega-se a pensar que “Benedito foi filho de
pais mui tostados e sua mãe foi uma preta escrava” – como afirmou o
frei Diogo do Rosário -. O que nos vale é que sua linda cor atrai
todas as pessoas, na mesma fé e devoção, para vencer o racismo e
ampliar nossa fidelidade ao seguimento a Jesus. III.
HISTÓRIA DA VIDA DE SÃO BENEDITO: O SEU NASCIMENTO
Toda
boa árvore dá bons frutos! Certamente, a árvore da qual Benedito
nasceu estava bem edificada. Seus pais, escravos de um tal Monassero, se
chamavam Cristóvão (ou aquele que carrega o Cristo) e Diana Lercan,
honestos, corretos e trabalhadores. Eles tiveram o primeiro filho quando
receberam a notícia de que seus filhos nasceriam livres. O casal teve
duas filhas (Baldassara e Fradella – esta morreu com fama de
santidade) e um outro filho (Marcos) que, segundo uma tradição e por
legítima defesa, assassinou um homem e foi preso sendo solto,
posteriormente. Benedito nasceu em 1526 – segundo a maioria dos
historiadores -, no seio de uma família pobre, humilde e simples. Foi
pastor e não teve oportunidade de freqüentar a escola, mas, mesmo
assim, teve uma formação cristã que aprendeu no lar e na sua pequena
igreja de São Filadelfo, onde aprendeu a confiar em Deus. Sempre
nos perguntamos como nascem as grandes vocações. A vida vocacional de
Benedito, por exemplo, começou quando estava no campo cuidando das
ovelhas e sendo ridicularizado por causa de sua cor. Numa dessas ocasiões,
mantendo uma paz de espírito e uma profunda concentração espiritual
que apareceu o Frei Jerônimo Lanza, um frade místico, convidando
Benedito para o início da sua missão que, futuramente, o tornaria
Superior de uma Comunidade Religiosa. Até os 21 anos, aproximadamente,
Benedito viveu nessa labuta de se tornar um pastor zeloso junto da família,
preparando-se para ser “o bom pastor”, como Jesus ensinou. Assim,
respondendo ao convite do frei Jerônimo, Benedito partiu para uma
experiência de comunhão com Deus, entre trabalhos, jejuns, orações e
penitências, ingressando na comunidade dos “Irmãos Eremitas
Franciscanos”, num sítio bem sossegado chamado Santa Domênica –
perto de São Fratello. Poderemos, ainda,
contemplar a vida de São Benedito, notando as virtudes familiares que
sustentaram a vocação do nosso grande santo, tornando-o um ardente e
fervoroso anunciador da Palavra, com o testemunho de vida e a dedicação
de seus passos, seja na experiência da solidão ou junto ao outro grupo
de vida comunitária. Quando vivia a experiência da contemplação na
vida dos Eremitas em Santa Domênica, Benedito tomava uma única refeição
pobre e dormia no chão duro. Tudo isto não lhe era sacrifício, mas a
oferta de sua própria vida e vocação a Deus, tornando-se um religioso
no sentido pleno da palavra. A vida de São Benedito
estampava uma grande santidade e, rapidamente, muitas pessoas iam
procura-lo pedindo orações, conselhos e bênçãos. No entanto,
Benedito, ou Frei Benedito, que não tinha uma formação escolar e nem
mesmo era sacerdote, atendia a todos com muito carinho e atenção, o
que causava a perda de momentos particulares de oração. Os dias iam se
passando e, cada vez mais, as pessoas procuravam para buscar a alegria
do encontro com “aquele santo vivo”. Esta situação, fez com que a
comunidade se mudasse várias vezes para lugares diferentes, difíceis e
perigosos, sempre levando a pobreza das suas coisas e as riquezas de seu
testemunho. Caminhando com os passos
de Deus, Frei Benedito ia e atendia a todos, levando paz e alegria –
assim como fizera na casa de uma doente que rogava as bênçãos e a
restituição da saúde -. A presença de Frei Benedito junto a estes
irmãos era tão grande que sua fama se espalhava; jamais ele quis se
atribuir um mérito ou uma recompensa para si mesmo.
A vida de São Benedito era uma sustentada por uma fé particular
que o tornava fiel e firme, mediante as provocações e dificuldades. IV.
O AMOR DE BENEDITO AOS POBRES E NECESSITADOS Podemos lembrar o
testemunho de fé e esperança herdados por São Benedito que o fazia
enfrentar os atos desonestos e levar a ter uma atitude de paz e amor a
todos. Assim, nos recordamos que, em certa ocasião, quando Frei
Benedito, na porta do Convento, com o Irmão Gregório, acolheu um pobre
homem cego que, segurando uma corda era conduzido por um cãozinho, veio
pedir ao “santo” que tivesse pena dele. Com sempre, o amor de Frei
Benedito fazia as pessoas alcançarem os seus milagres, recuperando a
esperança e fortalecendo-se sem desanimar! 4.1.
O amor de Benedito enfrenta a violência e gera a paz Conta a história de
que, em certa ocasião, um pobre pescador do Rio Oreto passou longas
horas pescando e nem um peixinho sequer caiu nas suas redes. Este homem
vivia do seu trabalho, tendo sete filhos para cuidar muita miséria em
sua casa. Vendo que a pescaria era fraca e olhando que Frei Benedito
passava por lá, suplicou ao santo que tivesse compaixão e abençoasse
suas redes pelo amor de Deus. As redes, milagrosamente, voltaram cheias
de peixe, quase se rompendo. São Benedito, com o coração terno e
misericordioso, socorreu aquele irmão necessitado. Devemos aprender a
rezar pedindo a graça da multiplicação e, acima de tudo, da
criatividade para multiplicarmos a vida em nossos lares. 4.2.
O amor de Benedito abençoa os nossos lares São
Benedito era cozinheiro no convento de Santa Maria e, com muito esforço,
vivia e pregava a partilha, vivendo com rigor a pobreza. Cada vez que
notava alguém desperdiçando o pão, costumava dizer: “Não
estraguemos os restos de pão. O pão que nos sobre pertence aos pobres.
É sangue dos pobres”. Este seu exemplo, contagiou a vida de muitos e tornou a
figura de São Benedito sinal da fartura e marca de proteção aos
nossos lares. Peçamos a bênção de São Benedito aos nossos lares,
sobretudo para que não nos falte o pão em nossas casas. 4.3.
O amor de Benedito iluminado por Deus Quando
se começou a preparar os estudos para a canonização de São Benedito,
um sacerdote disse: “Sabemos que São Benedito era iletrado e
ignorante, não sabia ler, nem escrever. Entretanto, explicava as
Escrituras aos seus confrades, ao lado de muitos sacerdotes, e deixava a
todos maravilhados de sabedoria e do conhecimento de Deus, e como ele
falava através do Espírito Santo”. Diz-se ainda que a clareza e a
profundidade com que Benedito explicava os textos, não se encontrava em
nenhum livro sagrado, pois ele se deixava ser “a
voz do Espírito Santo”. 4.4.
O amor de Benedito fortalece a fé das pessoas A
vida de São Benedito sempre foi marcada por um exemplo de fé e
testemunho profundo de amor. Durante sessenta e cinco anos, sempre
testemunhou a pobreza, o desapego e um a profunda fé. Segundo os
historiadores, sua frase especial – que sempre repetia – era: “A
fé nos guia, purifica, salva e cura. Enfim, onde ela falta, falta tudo,
absolutamente tudo”.
Com esta certeza interior sempre encorajava as pessoas a confiarem em
Deus de forma filial, buscando na eucaristia um encontro pessoal com
Jesus, o que nos ajuda a ter um amor a Cristo e aos irmãos. São Benedito, homem
simples, franciscano dedicado, santo em vida, amante dos pobres e
humildes, sinal de solidariedade e partilha com todos os que estavam ao
seu redor. Assim, em poucas palavras, podemos resumir quem foi São
Benedito que, depois de muitos anos, é elevado a honra dos altares por
ter sido muito simples e santo, solidário e companheiro. V.
A VIDA DE SÃO BENEDITO: UM SANTO A SERVIÇO Em maio de 1807, quando o Papa Pio VII e 27 cardeais,
declaram Benedito de Filadelfo Santo da Igreja, assim escreveram: “Homem
simples que saiu da raça etíope e em quem infundiu Deus as riquezas de
sua bondade com tanta abundância, que cumulado de sublimes virtudes e
carismas celestes, foi dado como exemplo admirável de todos. Deus de
maneira admirável resiste aos soberbos, dá sua graça aos humildes,
eleva os fracos do mundo para confundir os fortes. Por isto (Deus)
elevou Benedito, nascido humilde e pobre, às alturas da perfeição.
Rude e iletrado, teve a ciência dos santos, a fama da santidade”. Desta maneira, observamos que o pobre pastor de ovelhas,
tornou-se um rico pastor na Igreja: não por seu mérito, mas pela
bondade de Deus! Esta bondade, em cada novo momento, tornava Benedito um
sinal de paz e amor a todos: era grande e fervoroso, pequeno e solidário.
As inúmeras orações que atribuímos ao Santo, invocam este
propósito (como esta a seguir): Humilde
São Benedito, humilde pela vossa condição de escravo, humilde por não
terdes conhecido letras e ciências, humilde pela vossa vida de pastor e
homem de terra, maltratado e rejeitado tantas vezes pela cor da pele,
dai-nos a sabedoria de coração, o conhecimento de Deus que não julga
pelas aparências, mas pelo interior. São Benedito, cheio de prudência,
de justiça, de fortaleza, de equilíbrio, cercado de todas as virtudes,
ajudai-nos a vos imitar nesta vida, superadas as divisões entre todos,
para que possamos, um dia, convosco, no céu, glorificar o Senhor. VI.
HINO A SÃO BENEDITO (I) Glorioso
São Benedito, de Jesus imitador, dai-nos vossa santa bênção, rogai
por nós ao Senhor. 1.
Grande santo sim querido, grande amigo do Senhor. Escutai nosso
pedido, sede nosso protetor. Duma raça sofredora, aliviastes os grilhões,
recebei o peito agora, de mil gratos corações. 2.
Vossa vida foi exemplo, da mais alta santidade, hoje altar e
culto e templo, vos consagram a cristandade. Glória ao santo milagroso,
dos humildes protetor, cujo amparo poderoso desvanece a nossa dor. VII.
HINO A SÃO BENEDITO (2) 1.
Viemos celebrar a festa dos pobres com alegria, dos negros da
irmandade, do povo da romaria. O santo que era humilde nos leva a oração,
com danças e com folia, com cantos de louvação. Salve
São Benedito, o santo Padroeiro! Viva São Benedito, o santo cozinheiro!
(bis) 2.
Viemos celebrar a festa dos irmãos desamparados, que o santo
socorria como seus irmãos amados. Piedoso São Benedito, escuta nossa
oração, no ritmo da congada, canta o nosso coração. 3.
Viemos celebrar a festa com bandeira e estandarte, quem ama São
Benedito sabe festejar com arte. Benedito, Bene, Bento, da congada e da
folia: oi quem quiser ser santo, tem que ter muita alegria. VIII. ORAÇÃO
A SÃO BENEDITO
“Glorioso São Benedito, fostes uma chama do Amor Divino. Vosso coração se enternecia diante do sofrimento dos homens, ardendo na caridade de Jesus Nosso Senhor. Fostes elo de união e sinal da Paz entre todos aqueles que vos conheceram servindo-os com heróica caridade, esquecido de si, por amor ardente a Deus. “Tudo pelo amor de Deus” – era vosso lema. Vivestes a caridade perfeita para os pobres e indigentes, unistes os inimigos, abrandastes os corações cheios de ira, enchestes de fé os descrentes, curastes os enfermos, embebido sempre pelo Amor de Deus. Meu pobre coração, tão frio no amor de Deus, vos suplica esta graça – a de amar Jesus como o amastes neste mundo de ser vínculo de caridade entre os homens, de morrer arrependido dos meus pecados e, na confiança da misericórdia de Deus. Dai-nos, como a vosso pai São Francisco, em Jesus, sermos instrumentos de paz, por puro AMOR.” Pe.
Marcio Gil Trojillo
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